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 Pessoas com deficiência quebram tabus e conquistam espaço na moda
Pessoas com deficiência quebram tabus e conquistam espaço na moda

Desde que a sua mãe criou uma página no Facebook, em maio deste ano, o nome de Madeline Stuart tem sido falado em todo o mundo. A garota australiana perdeu 20 quilos para realizar o sonho de ser modelo. Várias fotos da moça mostram, nas redes sociais, o feito, que vem rendendo bons frutos, como a oportunidade de desfilar no maior evento de moda dos Estados Unidos, o “New York Fashion Week”.
 
Ela tem 18 anos, cabelos longos e ruivos e é portadora da síndrome de Down. Sim, a deficiência é meramente uma característica da modelo. A perseverança, com certeza, fez a diferença, não somente pela condição genética, mas, também, por ser mesmo uma carreira difícil – e que exige sacrifícios e empenho.
 
E, para quem ainda não sabe, Madeline não é exclusiva no meio. No exterior, outras garotas que fogem ao padrão convencional de beleza têm sido fonte de inspiração e modelo a ser seguido.
 
No Brasil, porém, há um campo imenso a ser explorado, como aponta Adriana Buzelin, 36 anos. Ela é a primeira modelo cadeirante de Minas Gerais.
 
É preciso investir
 
Antes de sofrer o acidente automobilístico que a deixou, inicialmente, tetraplégica, aos 19 anos de idade, Adriana era modelo fotográfica. Com a vida transformada, este plano foi deixado de lado. Anos mais tarde, por pura vaidade pessoal, como conta, ela teve a oportunidade de fazer uma sessão de fotos.
 
O resultado do trabalho foi apresentado a Kica de Castro, proprietária da única agência de modelos com deficiência (leia mais na página 28). A resposta? Não. “Ela não gostou, mas não desisti. Um tempo depois, a Kica percebeu que eu poderia, sim, ser modelo”, recorda Adriana.
 
“Mas não é todo mundo que pode ser modelo. Existe um padrão de beleza e é preciso estudar para isto”, continua. Por isto, antes de tudo, como toda modelo, Adriana investiu em cursos como expressão artística e postura em frente à câmera. E adquiriu uma cadeira de rodas bonita esteticamente. “A cadeira é como um acessório de moda, assim como as muletas, por exemplo, e não pode ser feia”, opina.
 
Mercado
 
Segundo Adriana, os eventos de moda convencionais de Minas ainda não abriram as portas para as modelos que, por algum motivo, não seguem todos os padrões estabelecidos pela indústria da moda contemporânea.
 
Por enquanto, a maior parte das oportunidades vem de eventos segmentados, isto é, exclusivamente para quem tem deficiência. “Isso acontece não só por preconceito, não; mas por falta de informação também. Então, cabe a nós, modelos e agências, batalharmos por este espaço”.
 
Apesar das dificuldades, Adriana avalia que o mercado abriu um pouco nos últimos dois anos, especialmente em São Paulo. “É legal apostar na igualdade, está na moda. Só espero que esta moda não passe”.
 
Miss cadeirante prova que toda diversidade é bela
 
Em 2007, depois de trabalhar num centro de reabilitação, a fotógrafa Kica de Castro atinou para um nicho a ser explorado no Brasil: agência de modelos com deficiência. Oito anos depois, ela continua sendo a única no mercado.
 
Verdadeiro filão, a empresa tem obtido bons resultados. Contudo, Kica considera que há muito preconceito a ser quebrado, pois a maioria dos trabalhos ainda é para eventos segmentados.
 
Outro problema é a tentativa de mascarar a deficiência, ao retirar os aparelhos ortopédicos de cena. “Os modelos têm que ser vistos como são, sem o olhar de piedade e de que são heróis. São pessoas batalhando no mercado de trabalho”, pontua.
 
Cadê os homens?
 
Atualmente, Kica agencia 83 modelos. A grande maioria, mulheres. “Existe a cultura na qual a mulher é uma ‘escrava’ da ditadura da moda. Então, a procura delas é maior. E os homens, em geral, têm preconceito com isto”, diz.
 
Mesmo que tenha um número representativo de modelos no portfólio, Kica afirma que poucos conseguem se sustentar apenas com este trabalho. “Eles possuem outras atividades para completar a renda”, informa.
 
Primeira miss
 
Caroline Marques, 34 anos, agenciada por Kica, é uma das exceções, já que consegue viver apenas da carreira. Desde pequena ela pensava em ser modelo. Porém, em 1991, ficou paraplégica num acidente automobilístico e quase viu o sonho escorregar pelas mãos. “Achei que este sonho tinha acabado”.
 
No entanto, em 2007, ela começou a fazer editoriais, campanhas e desfiles – inclusive, subiu na passarela do São Paulo Fashion Week em 2011 – e despontou. A grande surpresa ainda estava por vir: foi nomeada a primeira Miss Brasil Cadeirante (2015). “Fiquei em êxtase. A honra de representar o nosso país, ser coroada e receber a faixa, não tem explicação”.
 
Sucesso alcançado, Caroline conta que, hoje, quem falou “não” a ela, no passado, pede desculpas por não ter visto além das “aparências”. “A sociedade determina o que é belo, mas estamos aqui para mostrar que o belo é toda a diversidade humana. Mesmo levando não, nunca desisti de lutar pelos meus sonhos. Busquei orientações, estudei, fiz a minha parte e nunca fiquei no papel de vítima”.
 
Nos palcos
 
Há pessoas com deficiência conquistando espaço também na dramaturgia. Envolvida com a causa da inclusão social desde o início da adolescência, a paulista Tathiana Piancastelli, 31 anos, tem Síndrome de Down, o que nunca a impediu de mostrar o seu talento em peças de teatro e como apresentadora de TV, do programa “Ser Diferente”.
 
Entre os seus trabalhos, está a peça “Menina dos Meus Olhos”, escrita e protagonizada por ela, na qual atua com 10 atores sem a síndrome. Sucesso em Nova York, o espetáculo deve seguir para Inglaterra e Holanda no próximo ano. “Agora, estamos trabalhando para trazê-la para o Brasil também em 2016”.
 
Modelo surda é destaque
 
A brasileira Brenda Costa arranca suspiros por onde passa. Linda, alta e magra, ela tem os atributos perfeitos de uma modelo de passarelas. No entanto, por ser surda enfrentou preconceitos no mundo da moda. Em entrevista ao site Terra, ela contou que todos falavam da sua beleza, contudo, um “mas” sempre vinha após o elogio. Segundo Brenda, devido à deficiência questionavam o seu potencial, com perguntas do tipo: “mas como consegue trabalhar, saber o que o fotógrafo precisa? Na passarela, também duvidavam que eu pudesse andar no ritmo”, disse. Apesar dos obstáculos, ela nunca desistiu. Com 32 anos, casada com o bilionário Karim Al-Fayed (herdeiro da Harrods e do Hotel Ritz, e também deficiente auditivo), mãe da pequena Antônia, ela é, hoje, uma referência no universo da moda.
 
Canadense com vitiligo se torna top
 
A canadense Chantelle Brown-Young, 21 anos, é a primeira modelo com vitiligo (doença de pele caracterizada por perda localizada da pigmentação) do mundo. Conhecida como Winnie Harlow, a top quebrou tabus e tem feito desfiles e campanhas publicitárias. Em seu site, ela conta que sempre sonhou se tornar uma super modelo internacional, porém, teve que enfrentar muito preconceito. “Apesar de ter sido rejeitada por todas as agências de modelagem de Toronto, os designers, fotógrafos e diretores da área começaram a ver a beleza que o resto do mundo deveria ver”, diz o site.

Fonte: hojeemdia.com.br/
 
 
 
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